PÁTRIA AMADA

Autor: Gerônimo Escobar



Ó pátria, tão amada,
teu povo aqui, heroico, de brados retumbantes,
assiste do chão o sol da liberdade
opaco;

Caminhões cheios de mercadorias
correm em pressa o país,
não veem nem ouvem
qualquer margem plácida de um Ipiranga.
Este formoso céu, risonho e dito límpido,
tão esfumaçado de carros automotores...

Nesta terra, mais garrida,
vidas passam pelas cidades
atrasadas.
(é que pequeno é o tempo em Tempo de labor)

Nosso antigo penhor, de tal igualdade,
há tanto já pago (como nos foi ensinado)
resultou produto não entregue...
Nossos braços, são cansados,
e teu seio, a poucos oferece o leite.

Desafia assim, nosso peito, fraco,
à própria morte.
Fila nos hospitais.
Pobreza escondida dos olhos.
Contradições...

(Vejam, vejam todos!
Que país mais colossal.
Príncipe das Américas!
Minha classe vai bem.
Meus amigos vão bem.
A economia vai bem. - dizem... -
Ano que vem tem copa!
Nossos bosques, menos vida,
com mais pátios industriais.)

Brasil um sonho intenso, um raio vívido
de televisores ligados
e nádegas na programação...

Dos filhos deste solo és mãe
de pobres putas privatizadas.
Pátria amada, Brasil.




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