Ó Margarida indigesta
escultura de poeta
não se vá assim tão depressa,
escandalosamente encanto atracto-luminescente.
Quando passa
Margarida indigesta
deixa versos no chão.
Ver passar Margarida
é adolescer de paixão.
É a quebra dos passos
é o vento das mãos
são os ombros suspensos
distantes do céu,
perto desses pobres poetas sem inspiração.
De forma que
peregrinávamos
de todos
cantos
ventos
mares
poetas desinspirados,
para ver Margarida passar.
Lutávamos, como pombos
catando migalhas de poesia.
Excessos de seus cabelos
sobras de seus olhos
restos do corpo de mel
de Margarida indigesta.
Vinham de muitos
vinham de poucos
vinham em desespero;
e nas matas selvagens
de Margarida indigesta,
delirávamos.
As correntes revoltas
indigestas de Margarida
enchiam de água nossos pulmões
e íamos ao fundo,
e de tão fundo
e de tão alto,
tocávamos as estrelas com a mão.
Mas Margarida
indigesta como é,
logo se ia...
Levando com ela a poesia.
E os pobres poetas
adictos de Margarida
ficavam para trás
com abstinências literárias
do entorno
da coxa
da saia
de seda
de Margarida indigesta.
Ó Margarida! Ah Margarida...
Não se vá assim tão depressa
escultura de poeta.
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