CASO DUVIDOSO

Autor: Caetano Soares



Maria Margarida
Maria.
Maria que perambula
noturna.

Maria tão óbvia
Maria,
de tudo pode se esperar.

Maria é do dia
é da noite
Maria.

Maria quando chora
Maria,
chora em verso
Maria chora.

Mas Maria é alegria
Maria
é sorriso no rosto
é gingado no corpo.

Maria é tal
é a toa
Maria aquilo
Maria tudo isso
Maria qualquer coisa
que brilha
Maria.

Maria é sentinela
Maria é flor
espinho e luar
Maria é sol
Maria é mar.

Maria é minha insônia
mas Maria dorme bem
Maria sonha
Maria.

Maria é meu pecado,
flor do desejo
meu medo
meus erros,
todos os meus desassossegos
são Maria.

Maria tão minha
só minha Maria
tão lá Maria,
tão lá...





Sobre o autor:
Sobre Caetano Soares



SOBRE

Autor: Maurício Barros



poesia é arriscar-se
entregar-se
jogar-se
um voo livre conceito-gramatical
à porta do possível poético
(clamando infinitude)

poesia são olhos alheios
(já disse isso)
este pequeno aglomerado
de letras entulhadas
adjetivos, verbos, interjeições
classes gramaticais em geral, ahhh...

signos organizados em inútil tarefa
de traduzir sensação, emoção
aquilo que é anonímia
ilusão da ótica conceitual,
a poesia é vazia,
quem diria...

vazia em si, completa em outro
entidade limiar subjetiva
nem lá, nem cá
um ponto de vista no vácuo
aquilo que não cabe
trágico, cósmico ou louco;
a sobra da equação.

é ir até o fim
do mundo
onde ninguém via
e só havia uma árvore
um pássaro, e um cão
(não sei ao certo o que o cão fazia ali)

é recriar o amor
o amor destrutivo
fazer o dessabor
soar bem
um bater de asas,
ou um trovão
reflexão dirigida
feita a mão

- é artesão! -