o cigarro ao cinzeiro
queimava
pouco a pouco
céu amarelo cinzento

fumaça dançando
em ritmo solene

de tempo em tempo,
um trago desferido

tudo era silêncio,
ouvia a chuva
o grilo
a rã

ao fundo motores
com pessoas apressadas

a cinza jazia
em suave compasso
nem mesmo o vento ousava intrometer-se

uma árvore atônita assistia à cena
balançou sua copa em sinal de reprovação
- O que sabes? tola palmeira plantada à minha porta.
nada respondeu.

a árvore entendia melhor as coisas

Na verdade,


não sou verdade absoluta
sou verdade de curto alcance.

Viajando entre meus sucessivos modos de ser,
 não irei a lugar algum além de mim mesmo.

Ao descer minha rua vi uma senhora sentada ao ponto.
Enquanto todos iam e vinham
a senhora permanecia ali.
Sem razão social de ser era ela.
Esperava um ônibus que jamais chegaria.

- Extra, extra: A estética venceu a ética
prefiro assistir árvores.

O passado se modifica,
as vezes se apaga
ao bel-prazer da memória.

Meu espelho, só reflete o que não é
qualquer parede sustenta o símbolo de correntes.
Na verdade, as construções são os piores vícios.

Luz

Imagine uma onda
Uma onda global
Deixar de uso os olhos
Sentir com coração

Calmaria, apenas calmaria

Bem, só me resta sorrir ao ver o sol nascer...