O amor estava lá,
em minha concepção
era noite, era mar.
O amor estava lá,
em minha nascença
era estranho, era ar.
O amor estava lá,
em minha infância
um pouco feliz,
algo menino
algo vivo
O amor estava lá,
quando me apaixonei
inocente, sem razões
O amor estava lá,
enquanto dançava
bailante ferido
um tanto triste...
O amor estava lá,
quando chorei, a perda
um quase irônico
O amor estava lá,
logo a minha frente,
distante
no horizonte, caminhava
algo novo, algo ausente
O amor estava lá,
quando me perdi
em saudade
um tanto tímido
um tanto com medo
O amor estava lá,
na chuva, nos frutos
estava lá
quando caí
algo de sangue
algo de pranto
O amor estava lá,
à noite
enquanto a lua nova me dizia
(sorrindo)
sobre a minha solitude
polifonia de grilos e rãs
O amor estava lá,
ainda ontem, nas flores
no crepúsculo, longínquo
no sorriso, na água
O amor estava lá,
em minha lágrima, seus olhos
estava lá
no palco, as avessas
nas palavras
entre as estrelas
na porta
O amor estava lá,
ao relento
ao silêncio
nas raízes, nas árvores
na beira de rio
estava lá
na janela
talvez, ao vento
em quantas noites
estava, a esperança
de amar?
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