Me fantasio de mim mesmo para escrever
poesias que jamais escreveria tal outro,
escondo-as de minha razão
me conheço meu lado desconhecido, obscuro
exploro letras inexploráveis (que nem existem)
descubro a língua escondida, imóvel
grito gritos de outras vozes
ou qualquer voz,
acentuo a diferença entre o que não sou,
e o que seria, se acaso fosse;
alucino minhas emoções (isso sempre funciona)
traduzo em mim enigmas esquecidos
refaço construções silábicas impossíveis
lambo verbos que nada dizem,
mas entendo-os;
eis-me intruso em meu lar
e meu lar são meus pensamentos;
desmereço todo o merecimento poético
tramo tramas inimagináveis sem nada expressar
transformo a idéia em várias, e mais
reparto a alma em porções
e me deito como se estivesse em pé
e jugo as cousas tal estivesse adormecido
e me penso em dialeto qualquer,
que não é o meu, e jamais seria
pois meu dialeto é não ter.
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