SEREIAS E PAPAGAIO

Autora: Fernanda Flores



Outono me acena
surdamente,
me abraça, me beija,
mas não me trás presentes.

Do alto da pedra
em Itacoatiara está o mar.
Miro ao mar e bebo o mar,
          de sabedoria o mar é fonte
          de sabedoria das sereias.

São cantos marinhos de sal.
São as mulheres-peixe.
Sou as mulheres-peixe.

Claras, vagamos no azul
crescemos nas águas,
um tanto amargas,
em ilusões do firmamento.

Ainda assim amamos,
amemos!
Amemos as anêmonas,
os corais, peixes abissais...
Amemos todo o mar e seus dilemas.
Amemos o vento,
ah!
Acima de tudo amemos o vento.
O vento canto da sereia,
soprava-a às margens
sem perceber
o oceano cruzando-se.

Sim, vislumbremos a terra
e humanas construções,
concreto, relógio e pressa nos bolsos.

Tenho sede.
                     Bebo.
                     Bebo do mar.
                     Bebo do mar a sabedoria.
                     Bebo do mar a sabedoria das sereias.





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