BRINCANDO DE CORDEL:
Na antiga Casa Grande
Com paredes a rachar
A família bem tristonha
O corpo estava a zelar
Um viúvo triste olhava
Suas filhas a chorar
No funeral do lugar
Como todos iam seguir
Bem de longe é que a família
Ficava a assistir
Pois o viúvo e as filhas
Não podiam estar ali
A bela que morria
Era única professora
E tratava o vilarejo
De uma forma acolhedora
Ia fazer é falta
Dentro de cada pessoa
Vou deixar a Casa Grande
Pra poder continuar
Nos mudamos pra província
Pra falar de outro lugar
Mais pra frente é que a história,
Vai poder se encontrar
João Batista de Albuquerque
Comerciante de nascença
Era justo e muito honesto
Essa era sua crença
E todos sentiam isso
Quando estavam em sua presença
Acontece que ali
Como em toda região
Havia um coronel
Bem metido a valentão
Era fácil para ele
Mandava como patrão!
Produzia em suas terras
Uma forte aguardente
A ganância que por dentro
Queimava impaciente
Queria era acabar
Com tudo que é concorrente
Como além de Produtor
Também era Deputado
Por meio de uma lei
Um plano havia bolado
Pois aquele coronel
Tinha amigos no senado
Tudo que era engenho
Como a nova lei dizia
Precisava de alvará
Mas ninguém o possuía
A não ser o coronel,
Que depressa enriquecia
Mas Batista de Albuquerque
Como bom conhecedor
Sabia que sua cachaça
Não tinha melhor sabor
E queria era comprar
Do antigo produtor
Só que esse tinha falido
Sem poder continuar
Vendeu tudo o que tinha
Foi morar noutro lugar
E essa cachaça ruim...
Bem difícil de tragar
Foi quando lhe apareceu
Aquele homem a cavalo
Que num pulo só desceu
Fazendo no chão um estalo
Também era produtor
De bebida, porco e galo
Seus animais eram bons
Como viu João Albuquerque
A cachaça era a melhor
Sorria como moleque
Pois sabia que essa noite
Teria um belo pileque
-Sabes que é ilegal?
Confirmou o fazendeiro
E dizia que também
Era um grande cachaceiro
E vendia pra ajudar
Não era só por dinheiro
Muito honesto sempre foi
O grande João Batista
Nunca quebrou uma lei
Essa era sua conquista
Mas essa ia acabar,
Com o pequeno ruralista
Firmaram então um acordo
Toda terça aparecia
O homem com seu cavalo
E sua cachaça vendia
Os clientes de Batista
Davam pulos de alegria
Numa tarde então surgiu
Uma casada senhora
Reconheceu uma amiga
Desde tempos de outrora
Ficaram a papear
A moça perdeu a hora
Mas antes de ir embora
A moça virou e disse:
-Casei com um viúvo
Venha e nos visite!
Vocês dois vão se gostar
Por favor, nos felicite
Combinaram oito horas
Três dias a partir daí
Chegou cedo ao local
Pé de amora, manga e caqui
Numa velha Casa Grande
Estamos de novo aqui
O viúvo de outros tempos
Havia se casado
Com uma bela jovem moça
Que seu peito tinha pescado
Mas por conta de uma lei
Criminoso havia virado
A cachaça que fazia
Era muito apreciada
Por não ter o alvará
Vendia só na calada
Se não fosse desse jeito
Sua renda era acabada
Batista sorria muito,
Que feliz casualidade
O viúvo era o fazendeiro
Uma real felicidade
Com sincera saudação
Confirmava a amizade
Na ceia foi que ele viu
Suas quatro filhas entrar
A mais velha era Helena
Seu peito foi a pulsar
Com a família reunida
Sentaram para o jantar
O seu rosto era corado
Batista não disfarçava
Não sabia bem porque,
Era ela sua amada
E ela também sentia
Desde a primeira olhada
O casório foi arranjado
Agosto era o mês
E Batista todo dia
Brindava com algum freguês
A moça tarde acordada
Sonhava em ter bebês
Acontece que o esquema
Por mais que fosse esperto
Caiu em maus ouvidos
Batista foi descoberto
Sua cachaça confiscada
E o caixa estava aberto
Dentro tinha um bilhete
Assinado o Coronel:
-Esse é só um aviso
Vou cumprir o meu papel
Quem não vende minha cachaça
Vai dormir lá no quartel!
O fazendeiro em pranto
Não sabia o que fazer
Sem vender sua bebida
Não podia nem comer
Com ainda quatro filhas
-Como vou sobreviver?
Mas Batista ergueu o peito
Pra Helena impressionar
Disse: -Não se preocupe!
Que um plano vou bolar
E naquela mesma noite
Já se pôs a trabalhar
Pegou quatro galões
Da mais fina cachaça
No engenho do coronel
Os deixou ali de graça
E saiu para esperar
Bebendo no bar da praça
Quatro horas depois
No calar da madrugada
Voltou para o engenho
Ali teve uma cachaçada
O coronel tropeçante,
Dava uma grande golada
Tudo que era homem
Que trabalhava ali,
Dizia: -Que benção!
Hoje dá pra divertir,
Pois essa cachaça boa
É fácil de digerir
Tavam todos a dormir
E o engenho escureceu
João Batista entrou em cena
E um fósforo acendeu
Botou fogo no engenho
Olhou pro lado e correu
E mesmo João Batista
Que era tão correto
Agiu contrário a lei
Pois sabia que era certo
Mas muito o que temia
É que fosse descoberto
Só que o plano era perfeito
Ninguém sabia de nada
Cheirando muito a cachaça
E com a cara amassada
Os homens se olhavam
Com feição envergonhada
E agora sem existir
Engenho com alvará
O senador de Recife
Tomando um doce chá
Mudava de novo a lei
Sem muito blábláblá
Tudo que era produtor
Tava cedo no batente
Pois agora produziam
Como era antigamente
Sem precisar se esconder
Vendia bem legalmente
Nosso amigo João Batista
Em agosto se casou
Com a filha do viúvo
Por a quem se apaixonou
E o coronel falido
Fechou a porta e chorou
Agora sem produzir
Seu dinheiro tinha acabado
Perdeu também seu posto
De um nobre deputado
E sem dinheiro e poder...
Sem amigos no senado
E qualquer semelhança
Que possa ser encontrada
Entre a vida real
E a história aqui contada
É um encontro casual
Pois essa foi inventada.
Com paredes a rachar
A família bem tristonha
O corpo estava a zelar
Um viúvo triste olhava
Suas filhas a chorar
No funeral do lugar
Como todos iam seguir
Bem de longe é que a família
Ficava a assistir
Pois o viúvo e as filhas
Não podiam estar ali
A bela que morria
Era única professora
E tratava o vilarejo
De uma forma acolhedora
Ia fazer é falta
Dentro de cada pessoa
Vou deixar a Casa Grande
Pra poder continuar
Nos mudamos pra província
Pra falar de outro lugar
Mais pra frente é que a história,
Vai poder se encontrar
João Batista de Albuquerque
Comerciante de nascença
Era justo e muito honesto
Essa era sua crença
E todos sentiam isso
Quando estavam em sua presença
Acontece que ali
Como em toda região
Havia um coronel
Bem metido a valentão
Era fácil para ele
Mandava como patrão!
Produzia em suas terras
Uma forte aguardente
A ganância que por dentro
Queimava impaciente
Queria era acabar
Com tudo que é concorrente
Como além de Produtor
Também era Deputado
Por meio de uma lei
Um plano havia bolado
Pois aquele coronel
Tinha amigos no senado
Tudo que era engenho
Como a nova lei dizia
Precisava de alvará
Mas ninguém o possuía
A não ser o coronel,
Que depressa enriquecia
Mas Batista de Albuquerque
Como bom conhecedor
Sabia que sua cachaça
Não tinha melhor sabor
E queria era comprar
Do antigo produtor
Só que esse tinha falido
Sem poder continuar
Vendeu tudo o que tinha
Foi morar noutro lugar
E essa cachaça ruim...
Bem difícil de tragar
Foi quando lhe apareceu
Aquele homem a cavalo
Que num pulo só desceu
Fazendo no chão um estalo
Também era produtor
De bebida, porco e galo
Seus animais eram bons
Como viu João Albuquerque
A cachaça era a melhor
Sorria como moleque
Pois sabia que essa noite
Teria um belo pileque
-Sabes que é ilegal?
Confirmou o fazendeiro
E dizia que também
Era um grande cachaceiro
E vendia pra ajudar
Não era só por dinheiro
Muito honesto sempre foi
O grande João Batista
Nunca quebrou uma lei
Essa era sua conquista
Mas essa ia acabar,
Com o pequeno ruralista
Firmaram então um acordo
Toda terça aparecia
O homem com seu cavalo
E sua cachaça vendia
Os clientes de Batista
Davam pulos de alegria
Numa tarde então surgiu
Uma casada senhora
Reconheceu uma amiga
Desde tempos de outrora
Ficaram a papear
A moça perdeu a hora
Mas antes de ir embora
A moça virou e disse:
-Casei com um viúvo
Venha e nos visite!
Vocês dois vão se gostar
Por favor, nos felicite
Combinaram oito horas
Três dias a partir daí
Chegou cedo ao local
Pé de amora, manga e caqui
Numa velha Casa Grande
Estamos de novo aqui
O viúvo de outros tempos
Havia se casado
Com uma bela jovem moça
Que seu peito tinha pescado
Mas por conta de uma lei
Criminoso havia virado
A cachaça que fazia
Era muito apreciada
Por não ter o alvará
Vendia só na calada
Se não fosse desse jeito
Sua renda era acabada
Batista sorria muito,
Que feliz casualidade
O viúvo era o fazendeiro
Uma real felicidade
Com sincera saudação
Confirmava a amizade
Na ceia foi que ele viu
Suas quatro filhas entrar
A mais velha era Helena
Seu peito foi a pulsar
Com a família reunida
Sentaram para o jantar
O seu rosto era corado
Batista não disfarçava
Não sabia bem porque,
Era ela sua amada
E ela também sentia
Desde a primeira olhada
O casório foi arranjado
Agosto era o mês
E Batista todo dia
Brindava com algum freguês
A moça tarde acordada
Sonhava em ter bebês
Acontece que o esquema
Por mais que fosse esperto
Caiu em maus ouvidos
Batista foi descoberto
Sua cachaça confiscada
E o caixa estava aberto
Dentro tinha um bilhete
Assinado o Coronel:
-Esse é só um aviso
Vou cumprir o meu papel
Quem não vende minha cachaça
Vai dormir lá no quartel!
O fazendeiro em pranto
Não sabia o que fazer
Sem vender sua bebida
Não podia nem comer
Com ainda quatro filhas
-Como vou sobreviver?
Mas Batista ergueu o peito
Pra Helena impressionar
Disse: -Não se preocupe!
Que um plano vou bolar
E naquela mesma noite
Já se pôs a trabalhar
Pegou quatro galões
Da mais fina cachaça
No engenho do coronel
Os deixou ali de graça
E saiu para esperar
Bebendo no bar da praça
Quatro horas depois
No calar da madrugada
Voltou para o engenho
Ali teve uma cachaçada
O coronel tropeçante,
Dava uma grande golada
Tudo que era homem
Que trabalhava ali,
Dizia: -Que benção!
Hoje dá pra divertir,
Pois essa cachaça boa
É fácil de digerir
Tavam todos a dormir
E o engenho escureceu
João Batista entrou em cena
E um fósforo acendeu
Botou fogo no engenho
Olhou pro lado e correu
E mesmo João Batista
Que era tão correto
Agiu contrário a lei
Pois sabia que era certo
Mas muito o que temia
É que fosse descoberto
Só que o plano era perfeito
Ninguém sabia de nada
Cheirando muito a cachaça
E com a cara amassada
Os homens se olhavam
Com feição envergonhada
E agora sem existir
Engenho com alvará
O senador de Recife
Tomando um doce chá
Mudava de novo a lei
Sem muito blábláblá
Tudo que era produtor
Tava cedo no batente
Pois agora produziam
Como era antigamente
Sem precisar se esconder
Vendia bem legalmente
Nosso amigo João Batista
Em agosto se casou
Com a filha do viúvo
Por a quem se apaixonou
E o coronel falido
Fechou a porta e chorou
Agora sem produzir
Seu dinheiro tinha acabado
Perdeu também seu posto
De um nobre deputado
E sem dinheiro e poder...
Sem amigos no senado
E qualquer semelhança
Que possa ser encontrada
Entre a vida real
E a história aqui contada
É um encontro casual
Pois essa foi inventada.

gente, mas que belezura rapaz!! Muito bom, mandou bem ;)
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