A minha boemia
É fardo herdado.
Veio de concepção
Humana.
O relógio não mente (dizem)
Vivo assim,
Me alegra um sorriso
Ainda mais quando ao vento.
Num bar, ou em outro
A insônia, é o auge
De minha ignorância.
Noite lua.
Sussurros, olhares, risos,
Abraços, beijos e cigarros
Mais uma cerveja
Depois, outra.
Por vezes,
Embriagado de ar fresco
Por outras, de espírito ausente
Quando não ao fundo do último gole.
Tudo bem,
É na soma das partes que existo
E eventualmente,
Deixarei de existir.
Minha individualidade,
Única, minha,
É o que me faz igual a todos
Sem pôr nem tirar.
Mas a tevê ensina:
-Gostei de sua camisa!
Moda.
Arrumo o cabelo,
Celular, perfume,
Tênis e um adorno.
Eu pavão
Eu mercado.
Os muros ditam mensagens
As ouço por ai,
Ora aqui ora acolá
Num beco ou viela.
Encontro à noite
Regozijo à madrugada
Já perdido pela manhã.
Herdado fardo...
Sou fruto social
Sou senso comum
Sou amor volátil
Sou relação fluída
Até quando insistir?
Buscando na superfície
O que está submerso.
Tolo sou.
Vida moderna,
Ética estética
Uma cruz coletiva.
E agora, de final
Pergunto:
A loucura concreta,
Não seria uma lucidez relativa?
-Talvez...
Uma ou duas doses.
Quiçá três.
Ok, garçom!
-Me veja a saideira.
Até que enfim resolveu dividir as suas palavras com os "Outros".
ResponderExcluirO Universo (virtual, que seja) agradece!